Menu
A+ A A-

Notícias

Projeto orienta pais sobre violência sexual no TJPA

tjpa

Minha Escola, Meu Refúgio visitou a 17ª escola de Belém

Cerca de 80 pessoas participaram da atividade, que levou informação, orientação e prevenção à comunidade escolar do Santana do Aurá, formada por 148 crianças, da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental. A dona de casa Lidiane Barbosa, 27 anos, tem dois filhos que estudam na unidade pedagógica e disse que o projeto despertou o cuidado que os pais devem ter com as crianças.

“Tenho uma filha de 8 e outra de 4 anos. Foi importante até para abrir os nossos olhos, porque hoje em dia o mal está em tudo que é canto. Essa área aqui é de mata e qualquer um pode chegar. Ultimamente, até os nossos parentes fazem isso, imagina uma pessoa estranha. Então, é para abrir o nossos olhos a respeito das crianças, conversar sempre com elas quando voltam da escola, já que passam bastante tempo na escola,  e temos que perceber qualquer a mudança nelas”, compreendeu a dona de casa.

A atividade na escola do Aurá foi coordenada pelo juiz Wagner Costa, que responde pela Vara, acompanhado de técnicas da equipe multidisciplinar. A equipe esclareceu pais e professores sobre a rede de proteção disponível para denúncias de crianças vítimas de violência e alertou para sinais que podem indicar que um jovem foi vítima de algum tipo de abuso. 

“Muitas vezes, o cidadão não tem noção, não tem meios de se informar adequadamente sobre direitos e deveres relacionados a crianças e adolescentes. A importância do projeto é justamente informar essas pessoas, que ficam um pouco mais isoladas, em bairros afastados. Você vê que são pessoas carentes desse tipo de informação. Com esse encontro é possível que eles possam depois, em uma eventualidade, saber a quem procurar e como proceder”, explicou o juiz Wagner Costa.

O projeto “Minha Escola Meu Refúgio” já percorreu 17 escolas. Atualmente, cerca de três mil processos tramitam na Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes. A metade dessas ações é relacionada à violência sexual. Dados do projeto e da Organização Mundial de Saúde apontam que 87% dos abusos sexuais contra crianças são praticados por membros familiares e uma em cada seis crianças sofre abuso.

Para a coordenadora da Unidade Pedagógica Santana do Aurá, professora Arlete Brito, o projeto proporcionou esclarecimentos aos pais e alunos sobre violência, sexualidade e gravidez precoces. “Tudo aqui é muito precoce. Temos a impressão de que elas não vivem a fase infantil. Já saltam para a vida adulta. Há caso de crianças que engravidam aos 12 anos. Percebemos a necessidade de um esclarecimento, de abrir um leque e mostrar uma outra perspectiva de vida para eles”, analisou.

Psicóloga da equipe multidisciplinar da Vara, Mayra Lopes explicou que o objetivo do projeto é envolver a comunidade escolar na identificação dos sinais de violência para dar mais eficiência ao combate às graves consequências decorrentes da agressão, que incluem desde a reprodução do comportamento pela vítima, no futuro, até a drástica mudança de comportamento. 

Os sintomas mais frequentes apresentados por crianças e jovens vítimas de agressão são irritabilidade, insônia, falta de apetite, baixo rendimento escolar, ideação suicida, rebeldia, oscilação de humor, enurese e encoprese (descontrole das funções fisiológicas), entre outros, todos extremamente nocivos e prejudiciais ao bom e sadio desenvolvimento da criança e do adolescente.

Fonte: Coordenadoria de Imprensa 
Texto: Will Montenegro 
Foto: Erika Nunes / TJPA

Presidentes de Tribunais de Justiça